sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
O que ela gostava era de ficar por cima
De shorts e camiseta cavada, a jovem parecia caminhar pela casa com desenvoltura. As levíssimas sandálias de tiras realçava a tranquilidade com que ia e vinha. Já adultos, os filhos do marido não mais compartilhavam do mesmo endereço. Livre, leve e solta, tinha poucas satisfações a dar. Talvez, por isto mesmo mantinha uma prudente distância dos negócios de seu marido. Ao menos, era isso o que dizia todas as vezes que alguém cobrava dela uma postura mais decidida. Saber ela sabia, mas não interferia; se necessário, varria para debaixo do tapete. Varrer, aliás, era uma atividade a qual dedicava grande parte de seu dia. E, depois da vassoura, o pano úmido. Por fim, a flanela com o lustra-móveis. Gostava de sua casa, fresca, arejada. Lá, poeira não tinha vez. Ao que parece, até o porão ela limpava, sem se importar que, nas casas, os porões são costumeiramente usados para guardar os trastes sem serventia. Para isto, aliás, é que eles serviam, ela acreditava. Nas casas, a existência da parede que no térreo é chão e no porão o teto demarca a tênue linha do visível e do invisível. Gostando de ser vista, ela descia e logo subia. Quase nunca falava daquilo que o porão guardava, a mulher de seu marido. Sem problemas, ela gostava mesmo era de ficar por cima.
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