sábado, 29 de janeiro de 2011
O frentista da Frei Caneca
Foi no dia em que conseguiu o emprego de frentista na região da Paulista que ele, finalmente, se sentiu aceito em São Paulo. Não que tivesse tido problemas em conseguir trabalho. Simpático e falante, tinha sempre um pacote para fazer, um chão para varrer, uma louça para lavar. Na Frei Caneca, era cada carrão que só vendo. Cada vidro lavado uma festa. Mais que um trabalho, era um privilégio! Vestir a camisa da empresa era inevitável. Mantinha tudo brilhando, mas limpar era uma coisa, desperdiçar, outra. Quando um pipoqueiro ou outro vinha lhe pedir emprestada ou a chave do banheiro ou uma panela d´água, só atendia se tivesse ao menos uma lata velha, do tipo que consome bastante combustível. Bom colaborar para o lucro certeiro, um emprego como aquele não se perdia. Quando, no feriado de 25 de janeiro, o moço lhe pediu um favor, o primeiro que notou é que estava a pé. Tinha cacos na testa e no olho direito, mas aquilo não era vidro de carro; parecia garrafa. Pela quantidade de sangue, ia ser necessário gastar muita água. o pior, jogar fora o pano depois. A julgar pela aparência, não era mais nenhuma criancinha, se aproximava dos 30. Que cuidasse da sua cara com seu próprio dinheiro. Tivesse pensado melhor antes de andar por aí com este negócio de gay.
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