terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Pai nosso, que estas no céu, a guerra dos sexos nos dai hoje

Seis horas da tarde, e era em São Paulo. Com a filha adolescente prudentemente colocada no banco traseiro, ele tentava voltar para casa. Era bom motorista, mas acreditava nas leis de trânsito. Assim, seguia o outro com olhos atentos, tarefa que, para ser bem sucedida, teria exigido muitos olhos. Nos lados, na frente e atrás, lá estava o outro, o potencial infrator. Ele, que amava a ordem, não podia com isso. Foi aí que ela aproveitou a brecha. Via um lerdo em potencial em cada um dos motoristas. Irritava-se quando, na sua avaliação, eles não eram tão espertos quanto deveriam ter sido. Quando vislumbrou a distância prudente que ele mantinha do carro da frente, logo entendeu se tratar de uma oportunidade para chegar ao destino na frente dele. Sem pestanejar, ignorando o trânsito e suas leis, cortou-o pelo lado da filha. Ela não iria esperar homem algum. Pagou caro pela ousadia. Como o trânsito não andava, ele pôde ficar na sua cola em todo resto do percurso, buzinando, gesticulando, apontando todas suas falhas. Por fim, separam-se, profundamente solitários e infelizes. É que ele não era homem de ser deixado pra trás por mulher alguma. Ela, por sua vez, não seguia homem nenhum.

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